segunda-feira, 21 de abril de 2014
Galileu, Brecht e Aristóteles
Aqui estou, sentado em frente ao computador, já se passam umas boas (ou más) 20 horas aqui na frente... Ainda 23:43 e parece que já são 4 da manhã, estou ficando velho e o café não faz mais efeito. Meu cérebro parece que tirou férias, faz tempo que procuro o botão de ligar, mas ainda não achei. Quanto mais me esforço, mais parece que ele emperra e retrocede as coisas já produzidas.
Ééé meus caros... Quem acha que fazer artes cênicas é fazer teatrinho e gritar por aí que é livre e os governos são opressores, não é bem assim. Ou talvez seja e eu que estou indo na contra mão. Mas enfim, estou aqui, tentando costurar as cenas de Leben des Galileu (Vida de Galileu), de forma que tenham um pouco de coerência, tentando transcrever em palavras uma justificativa que não tenho a mínima vontade de justificar para ser avaliado depois. Entrei na faculdade para me "formar" diretor... tapa na cara! Inocente engano... Me conformei que meu curso é um bacharelado, estou me formando (entrando em uma forma) de pesquisador. Acho que estou levando outro tapa na cara. Achei que ia pesquisar, conhecer mais, me aprofundar nas artes cênicas, mas o único que estou vendo são pinceladas superficiais de assuntos derramados no ventilador (quem entendeu, entendeu rs). Não consigo pesquisar nada! Me passam um assunto, um texto, e duas teses em uma matéria, ok vou pesquisar, quando acho que começo a entender, o dia de ter aprendido e forçado isso em uma apresentação de slide já passou e já vem mais e mais "conhecimento" (para não dizer informação ou dados históricos). Estou começando a ter uma nova impressão sobre isso tudo: não estou estudando direção, não estou pesquisando... será que estou lendo história do teatro?
A Vida de Galileu não está me motivando nada a começar essa montagem. Está abrindo meus olhos, sim. Mas feliz aquele que é ignorante! Não que eu não me considere um. Fico feliz em saber que sou um ignorante, é legal isso rsrs... Galileu, gênio, esperto, sagaz, cientista do povo, e mesmo assim os cegos preferiam discutir seus conceitos arcaicos e engessados, "divinificando" o velho Aristóteles e se acomodando em sua ilusão de avançada ciência ao invés de olhar pelo telescópio e ver o que seus olhos se recusavam a enxergar. É o mesmo nesse sistema acadêmico." Finjo que não vejo, finjo que não sinto, finjo que está tudo bem e continuo tocando minha vida pra frente". "Eu sei que onde estou baseado está cinquenta anos atrasado, mas continuo aqui neste meu pedestal divino, isso garante minha divindade." Sair da zona de conforto está custando muito mais aos novos que aos velhos. Será que estou entrando nela? Escrever um projeto, montar uma cena de 15 minutos, chamar os amigos e família pra assistir, receber uma nota e passa para o próximo semestre... É confortável. Chato, muito chato, tedioso mas confortável. Confortável pra quem? Eu acho isso agoniante. Não consigo parar cinco minutos quieto na cadeira quando estou escrevendo esse projeto de encenação, é angustiante saber que poderia estar na sala de ensaio, mas tenho que perder horas... dias... formatando uma ideia que já tenho na cabeça apenas para ser avaliada a FORMA de como FORMATO ideias (sim fui repetitivo).
Enfim, eu normalmente escreveria isso à mão, mas meu pulso está doendo já, e bateu uma preguiça de levantar, acho que estou na zona de conforto aqui na cadeira, deixa eu levantar para ver um pouco as estrelas lá fora.
Até logo
;)
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